CRISE: Em 2015, São Paulo encarou seu pesadelo hídrico.

O fantasma do “Dia Zero” trouxe, em meio ao desespero, um diagnóstico claro e soluções aparentemente consensuais: Recuperar as matas ciliares que protegem nascentes e mananciais. Investir maciçamente em saneamento básico, despoluindo os rios que ainda são fontes de abastecimento. Consertar os vazamentos crônicos da rede pública, que desperdiçam água tratada. Adotar o reúso de água em escala, especialmente para indústria e agricultura.
Passados quase dez anos, nenhuma dessas lições foi implementada de maneira consistente e estruturante. Em vez de enfrentar as causas raízes do problema – a degradação ambiental e a gestão ineficiente –, a política predominante continuou sendo a de buscar água cada vez mais longe. A solução encontrada? A Transposição Jaguari-Atibainha, um megaprojeto para trazer água de outras bacias. E agora, com a região metropolitana ainda mais populosa e vulnerável, essa água já não basta. O próximo alvo anunciado é o Rio Itapanhaú, em Bertioga, em um projeto complexo e de alto impacto.
Até onde isso vai? Até quando trataremos a água como um recurso infinito, cuja solução é sempre desviar um rio mais distante, em vez de cuidar da que temos aqui? Seguimos um ciclo perigoso: negligência, crise, obra emergencial e nova negligência.
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Revistas USP — A seca e a crise hídrica de 2014/2015 em São Paulo

