RECURSOS HÍDRICOS

RECURSOS HÍDRICOS

Em janeiro de 2026, o Instituto da ONU para Água, Meio Ambiente e Saúde lançou relatório revolucionário usando termo inédito: falência global das águas. O documento afirma que muitos rios e aquíferos perderam capacidade de retornar ao normal, transformando choques temporários em condição permanente.
A genialidade do conceito de falência é tirar a crise hídrica do campo ambiental e colocá-la no campo contábil e civilizatório. A sociedade está gastando água como se fosse renda, quando já consome poupança, destruindo simultaneamente o próprio cofre — zonas úmidas, aquíferos, solos, geleiras — que garantiria água futura.
Os números são alarmantes: 410 milhões de hectares de zonas úmidas desapareceram em cinco décadas, área equivalente à União Europeia. Aproximadamente 70% dos principais aquíferos mostram declínio de longo prazo.
O problema não se limita à retirada excessiva. É combinação devastadora: superexploração, poluição, degradação de solos, perda de áreas úmidas e desmatamento, tudo amplificado por aquecimento global, evaporação maior e chuvas erráticas.
O relatório propõe mudança radical: sair do modo “apagar incêndio” para “gestão de falência” — contabilidade hídrica transparente, limites enforceáveis e proteção do capital natural da água, com transição justa.
A falência hídrica atravessa setores econômicos: racionamento afeta fábricas, logística, alimentos, energia e saúde. Agricultura irrigada sob estresse gera inflação e instabilidade social.
Muitas regiões foram empurradas além do ponto de recuperação em escalas humanas. A água tornou-se termômetro do século: onde ela falha, todo o resto começa a falhar junto.
Fonte: Um Só Planeta/ @Florestal Brasil