Yacouba Sawadogo, um agricultor tradicional do Sahel, em Burkina Faso, ficou conhecido como o “homem que venceu o deserto”.

Yacouba Sawadogo, um agricultor tradicional do Sahel, em Burkina Faso, ficou conhecido como o “homem que venceu o deserto”.

Desde jovem, ele tinha a intuição de que o plantio de árvores era a única forma de combater a desertificação em sua aldeia. Com um genuíno interesse ecológico, Yacouba começou a coletar sementes nativas e a plantar uma floresta de alimentos em sua região, a mais árida do país. Seu sucesso chamou a atenção de Thomas Sankara, que em 1983, após assumir o governo, buscou multiplicar as ações de Yacouba. Sankara ficou maravilhado com a técnica de plantio de Yacouba, que usava uma enxada para afofar a terra e cinzas com esterco para adubar. Em buracos profundos chamados zai, ele colocava as sementes nativas com terra adubada e cercava a área com cordões de pedra para reter a água da chuva.
Com o apoio do governo socialista de Sankara, que via a autossuficiência como uma forma de resistência, a experiência de Yacouba foi ampliada. O governo promoveu a construção de viveiros, distribuiu ferramentas e sementes para as aldeias e lançou a campanha de 10 milhões de árvores, com o objetivo de combater a degradação ambiental e a desertificação. Sankara foi assassinado em 1987, mas seu legado de justiça e autodeterminação continua vivo. Já Yacouba, por seu trabalho incansável na regeneração de paisagens degradadas e na garantia da segurança alimentar, recebeu o Prêmio Right Livelihood, o “Prêmio Nobel Alternativo”, em 2018. A história de Yacouba e Sankara nos mostra como a sabedoria ancestral e a vontade política podem, juntas, mudar o destino de uma nação.
FONTE: Referência no site e newsletter:
DW Brasil — Yacouba Sawadogo transforma terras áridas em florestas