POVOS ANTEPASSADOS

Um estudo publicado na capa da revista Nature revelou que os povos indígenas sul-americanos descendem de três ondas migratórias distintas. A grande novidade é a terceira onda, até agora desconhecida: ela veio da Mesoamérica cerca de 1.300 anos atrás e é a mais representada na população indígena atual do continente. Para chegar a essa conclusão, pesquisadores de oito países latino-americanos sequenciaram 128 genomas completos de 45 povos diferentes, em mais de uma década de trabalho colaborativo.
A primeira onda deixou registros com até 12 mil anos em sítios como a Lapa do Santo e a gruta do Sumidouro, em Lagoa Santa, Minas Gerais, e no Chile. A segunda ocorreu por volta de 9 mil anos atrás, com marcas genéticas e arqueológicas no Peru e na Argentina. O Holoceno Médio, período de grandes mudanças ambientais entre 8 mil e 4,2 mil anos atrás, afetou ecossistemas e populações, abrindo caminho para essa terceira migração que o estudo agora documenta. O quadro resultante é muito mais complexo e diverso do que a ciência imaginava.
Após a chegada dos europeus no século XVI, os grupos indígenas tornaram-se menos populosos e mais isolados entre si. No tronco Tupi, o estudo detectou sinais de endocruzamento nos povos Sirionó, Suruí e Karitiana, indicando colapso populacional provavelmente resultante de epidemias, escravização e ruptura nos modos de subsistência e no conhecimento tradicional. Uma recuperação recente pode ser observada em algumas regiões da América do Sul ocidental.
Um detalhe especialmente significativo do estudo: pela primeira vez, uma mulher indígena, a biomédica Putira Sacuena, da UFPA, figura entre os autores de uma pesquisa de antropologia genética sobre os próprios povos nativos.
A história dos primeiros brasileiros é mais antiga, mais complexa e mais rica do que sabíamos. E agora temos as ferramentas para continuar descobrindo.
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Fonte: Revista Pesquisa Fapesp
FONTE: @florestalbrasil

